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Site cita ‘Caso Reis Pacheco’ como exemplo de ‘fake news’ nas eleições

Roseana foi eleita em 1994 após a mídia sarneysista espalhar uma mentira sobre seu adversário, Epitácio Cafeteira

Numa nova seção, intitulada ‘Eleições & Desinformação’, o site Congresso em Foco cita o famoso ‘Caso Reis Pacheco’, que favoreceu a eleição de Roseana Sarney, em 1994, no Maranhão, como exemplo de ‘fake news’ numa campanha política.

Veja trecho da matéria de Iara Moura, publicada ontem (segunda, 6):

 

“Corria o ano de 1994. Na eleição para decidir o governador do estado do Maranhão, o candidato Epitácio Cafeteira era o principal adversário de Roseana Sarney, pertencente ao poderoso clã que até os dias atuais se reveza na política local e nacional. Roseana liderava por apenas 1% de diferença nas intenções de voto quando, no início do segundo turno, os jornais e a TV da família, afiliada da Rede Globo, começaram a divulgar que Cafeteira havia mandado matar o adversário José Raimundo dos Reis Pacheco”.

“Faltando dois dias para o encerramento da campanha, a equipe de Cafeteira localizou José Raimundo e gravou entrevista com ele para exibir no último programa eleitoral gratuito. Naquela noite, a imagem da TV desapareceu misteriosamente em todo o interior maranhense. Só a capital São Luís, onde vivia 1/3 do eleitorado, testemunhou a imagem do homem dado como morto, atestando, ele mesmo, que o boato de assassinato era falso. O caso foi contado pelo jornalista Palmério Dória no livro Honoráveis bandidos, lançado em 2009”.

“Embora tenha caído nas graças populares, a expressão ‘fake news’ – em referência a notícias ou informações falsas divulgadas no intuito principal de derrubar reputações, prejudicar adversários políticos e gerar lucro ­– não se refere a um fenômeno inaugurado com as redes sociais ou restrito ao terreno das comunicações digitais, conforme mostra o caso que abre este texto. Por isso, descolados de uma análise histórica e descontextualizados, os usos atuais do termo parecem não abarcar os limites de um fenômeno complexo ligado, por um lado, ao avanço da imprensa e da comunicação de massa e, por outro, à organização e consolidação (ou o contrário disso) dos regimes democráticos modernos”. (Por Oswaldo Viviani)

 

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