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Pegadores, Cajé e Sandro Fonseca

É motivo de grande suspeição a desastrada atuação de um delegado da Polícia Federal na condução de investigações sobre o sistema de saúde no Maranhão e a sua proximidade com um colega seu, com fortes laços com políticos opositores do governo.
É notória a precipitação que tem tido o delegado federal Wedson Cajé na condução dos desdobramentos da Operação Sermão aos Peixes. E muito se fala em um direcionamento das investigações, que insistem em esquecer os malfeitos e desvios da gestão anterior, de Ricardo Murad, que tenta a qualquer custo manchar a política de saúde do governo atual.
Pode ser apenas coincidência, apesar de não parecer, mas outro delegado colega do Wedson Cajé, o delegado Sandro Fonseca, é genro de João Abreu, ex-secretário de Roseana Sarney, e parente de Rosa Fonseca, chefe de gabinete da deputada oposicionista Graça Paz. A deputada Graça Paz, chefe da parenta do delegado, é casada com o chefe de gabinete do senador Roberto Rocha. Dois dos principais adversários do governo atual teriam no delegado Sandro Fonseca a esperança de ingerência na Polícia Federal.
Sandro Fonseca não está oficialmente na operação. Mas muitos dizem ser ele conselheiro do delegado Wedson Cajé, o mesmo que já viu ruir as mirabolantes teses que inventou para tentar manchar a imagem do atual governo. Foi assim com folclórica historinha da sorveteria, que derreteu poucas horas após as desastradas declarações do delegado Cajé. Foi também assim com a lista de fantasmas que ele declarou existir em telejornal nacional, mas que logo em seguida se descobriu que fantasma mesmo era a lista, que nunca existiu.
Muitos acreditam que Sandro Fonseca age na Polícia Federal motivado por estímulos do sogro do ex-secretário do Governo Roseana, João Abreu, que chegou a ter sua prisão decretada pela Justiça do Maranhão após ser acusado pelo doleiro Alberto Yousseff de receber R$ 3 milhões em propina no caso do pagamento de precatório no Governo Roseana Sarney à Constran. Alberto Yousseff foi preso em São Luís, em 2014, exatamente quando estaria preparando a entrega dos milhões no gabinete do então secretário de Roseana Sarney.
É sobre a suspeita do sentimento de vingança que se cogita que o delegado Sandro Fonseca poderia estar atuando nos bastidores para que o colega, delegado Cajé, ignore os malfeitos da gestão de Ricardo Murad, multi-acusada de desviar milhões dos cofres públicos, para criar histórias e enredos que possam ser utilizados na mídia contra o governo atual.
Nunca devemos esquecer que o senador Romero Jucá, muito amigo de Sarney e Roseana Sarney, foi pilhado certa vez em diálogos comprometedores visando a um acordo, “com Supremo, com tudo”. E depois que a presidente Dilma Rousseff foi cassada e Michel Temer chegou à Presidência da República, com apoio de José Sarney, ele próprio chegou a indicar o diretor-geral da Polícia Federal. Os tentáculos de Sarney na Polícia Federal continuam sendo a última esperança do ex-presidente para tentar evitar a reeleição do governador Flávio Dino em primeiro turno.
É pena que tudo isso coloque sob suspeição toda a Polícia Federal, que deveria agir para coibir o uso político de investigações e impedir a ingerência política de qualquer de seus membros em inquéritos. Mas, até agora, nada.

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