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Mensagem de Paulo Marinho a indicado de Sarney na Caixa revela ‘esquema’ no MA

Foto: Reprodução

Um e-mail encaminhado para Fábio Lenza (atual vice-presidente de Produtos de Varejo da Caixa Econômica Federal, indicado por José Sarney), reproduzido no relatório do escritório Pinheiro Neto Advogados – contratado em setembro do ano passado para apurar indícios de corrupção no banco público –, sintetiza o uso espúrio do banco para atender a interesses políticos e comerciais de partidos e políticos do PT, do PMDB e até do PCdoB no Maranhão.

Na mensagem, enviada em 24 de março de 2010, o então deputado da cidade de Caxias, Paulo Marinho (também aliado do grupo Sarney), revela o direcionamento de obras do programa federal Minha Casa Minha Vida para a construtora Melo, de propriedade de Rosendo Lima, cunhado do então deputado federal Washington Luís Oliveira, do PT, aliado da então governadora Roseana Sarney (MDB).

Marinho reclama da suposta interferência de um aliado de Flávio Dino –  também supostamente envolvido em ilegalidades – e pede a intervenção de Lenza para destravar a construção das casas, obra que estaria na “cota” do governo de Roseana Sarney, dentro de um pacote lançado na cidade com pompa pelo então presidente Lula.

Diz Marinho no e-mail a Fábio Lenza:

“Caro Flávio. Desculpe a forma de contato, mas o assunto é urgente e de suma importância. Em outubro do ano passado, quando da ida do Lula, a empresa caxiense Melo Construções assinou, na presença do presidente, um contrato para a construção de mil unidades habitacionais (casas e apartamentos), em Caxias, no âmbito do programa do Minha Casa Minha Vida, faixa de zero a três salários mínimos. 

Em Caxias, seriam três mil unidades, sendo duas mil entregues ao [prefeito] Humberto Coutinho, cujo irmão [Eugênio Coutinho] está construindo e as outras mil seriam da cota do governo do Maranhão e foram entregues à Melo Construções, de propriedade do engenheiro Rosendo Lima, cunhado de Washington Luís, deputado federal do PT do Maranhão.

Ocorre que Humberto Coutinho, ligadíssimo a Flávio Dino [do PCdoB, que se elegeria governador do Maranhão em 2014] se recusa a fornecer o alvará de construção do empreendimento e vem criando dificuldades (…)

A matéria está sub judice e o juiz federal prometeu ainda esta semana resolver. Ocorre que, quando descobriram que a Justiça Federal resolveria a questão, um advogado da CEF resolveu peticionar ao juiz dizendo que a CEF não tinha interesse.

Caxias é hoje o fiel da balança nas próximas eleições. Seria a maior obra de Roseana Sarney na cidade. Impedir que essas casas e apartamentos sejam construídos fere de morte nosso grupo político. (…)

Eugênio Coutinho constrói duas mil quando na verdade é sócio de uma empresa que construiu o Residencial Sabiá, projeto financiado pela CEF e que se encontra inadimplente até hoje.

Hoje ele tem grande influência na CEF principalmente pela aproximação com Carlos Borges [Carlos Augusto Borges, então vice-presidente de Atendimento da Caixa].”

(Com blog O Antagonista)

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