Fechar
Buscar no Site

Lavrador aparece e revela detalhes da brutalidade dos policiais que mataram comerciante em Bacabal

Lavrador Riba escapou dos policiais depois que um revólver apontado para a sua cabeça não disparou

Surpreendendo toda a sua família e a cidade de Bacabal, que já não tinha mais esperanças de que ele estivesse vivo, o lavrador José de Ribamar Neves Leitão, o popular ‘Riba’, apareceu, na madrugada dessa segunda-feira, 8, na casa de uma irmã sua, na Vila São João. Da casa de um advogado, para onde foi levado pela irmã, ‘Riba’ gravou um vídeo relatando toda a brutalidade que viveu com o comerciante Marcos Marcondes Santos, o ‘Marquinhos’, que não resistiu às torturas, seguidas de tiros, e foi encontrado morto num matagal já no município de São Luís Gonzaga. Os dois eram acusados de terem comprado 11 carneiros roubados de uma fazenda em Bacabal.

Segundo José Ribamar Neves Leitão, a ordem entre os cinco policiais autores do bárbaro crime, era para matar. Todos integrantes do 15º BPM, sediado em Bacabal, o tenente Francisco Almeida Pinho, o sargento Gilberto Custódio dos Santos e os soldados Marcelino Henrique Santos Silva, Rogério Costa Lima e Robson Santos de Oliveira estão presos.

Depois de ficar desaparecido por sete dias, o lavrador contou todos os detalhes da brutalidade dos PMs e também como conseguiu escapar, aproveitando-se de um descuido dos militares.

Pelo relato de ‘Riba’, ele foi ‘sequestrado’ antes de ‘Marquinhos’, que teve o seu ‘sequestro’ flagrado por câmeras de segurança da rua em frente ao seu comércio.

Revelou o lavrador que foi chamado pelo sargento Custódio, na manhã de segunda-feira, 01, para apanhar umas sementes na localidade São Sebastião. “Saímos juntos da fazenda em que trabalho, mas no meio do caminho a conversa mudou. Ele desceu do veículo e começou a me perguntar sobre uns carneiros roubados da fazenda que teriam sido vendidos a ‘Marquinhos’. Nisso apareceu o tenente Pinho, que foi logo batendo na minha cara e me empurrando. Pegaram minhas duas mãos, amarraram nas cordas e puxaram para trás. Amarraram meus pés e me derrubaram no chão. O sargento Pinho sentou em cima de mim e o senhor Gilberto agarrado na minha garganta, batendo na minha cara e me chutando. Jogaram água no meu rosto coberto por uma toalha, para que eu confessasse o furto e a venda dos carneiros”, disse ‘Riba’, acrescentando que nesse momento desmaiou, e que quando acordou foi colocado na mala do carro.

Depois disso, os militares foram até a casa de ‘Marquinhos’, que foi jogado dentro do carro, permanecendo desaparecido até a manhã seguinte, quando foi encontrado no matagal na estrada de São Luís Gonzaga.

Detalhes da morte de Marquinhos – No vídeo, que circula nas redes sociais, ‘Riba’ faz um relato detalhado da morte do comerciante ‘Marquinhos’. “Já dentro do carro eles agrediram bastante o ‘Marquinhos’ com socos no rosto. apesar de o tempo inteiro ele negar que havia comprado os carneiros. Amarraram as duas pernas dele, derrubaram no chão perto de uma poça. Começaram a jogar água e bater. Um deles pulava com os dois pés no peito dele. Queriam que ele falasse, mas não davam chance dele falar. Molharam uma camisa bem pesada e começaram a bater na cara dele, enquanto estava respirando, ele batia. Até que ele parou de respirar”.

Relatou ainda o lavrador que, após constatarem que o comerciante estava morto, os policiais decidiram levar os dois para a fazenda de ‘Marquinhos’. Segundo ‘Riba’, a ideia era passar para a família que os dois tinham corrido e se escondido no mato. No trajeto, porém, encontraram a esposa de ‘Marquinhos’ e mudaram os planos.

‘Riba’ disse que da mala do carro ouvia o que estava sendo tramado pelo tenente Pinho, que teria sido o autor dos disparos contra o comerciante, que, no momento que foi baleado era segurado pelos demais militares. “Depois disso, um deles atiraria na perna do militar para fingir um confronto”, acrescentou o lavrador, que em seguida passaria a ser o alvo dos policiais.

“Os quatro policiais saíram, pegaram a arma, deram para Gilberto, genro do ‘velho’ da fazenda que eu trabalhava, e disseram: ‘agora mata, porque ele não pode chegar vivo em Bacabal”, contou ‘Riba’, que chegou a implorar para que não o matassem. Chegou a ficar ajoelhado com um revólver apontado para sua cabeça. Segundo ele, o policial puxou o gatilho, mas o revólver não disparou. Nesse momento, ele começou a correr, ouvindo ainda vários disparos feitos na sua direção. ‘Riba’ disse que fugiu durante todos esses dias com medo de ser encontrado e assassinado pelos policiais, até chegar à casa de uma irmã sua, na Vila São João.

Depoimento – José de Ribamar Neves Leitão prestou depoimento, ainda na manhã de segunda-feira, na Delegacia Regional de Bacabal. O secretário Jefferson Portela (Segurança Pública), acompanhado de alguns integrantes da cúpula da SSP, viajou a Bacabal novamente, a pedido do pai de ‘Riba’, para acompanhar o interrogatório.

 

O conteúdo d'O INFORMANTE é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.

mais / Notícias