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Jovem preso como suspeito de matar Diogo é solto após perícia comprovar sua inocência

As fotos mostram uma diferença decisiva dos dois veículos: o limpador de pára-brisa traseiro: o do autor do crime (foto extraída das imagens da rua onde o argo quase colide com o carro de Diogo) tem e o do pai de Ayrton não tem limpador atrás...

 

Acusado pela Polícia Civil de ter assassinado o publicitário Diogo Costa Campos, de 41 anos, sobrinho-neto do ex-presidente José Sarney, o jovem Ayrton Campos Pestana foi solto na noite dessa quinta-feira, 18, depois que o Instituto de Criminalística do Maranhão (Icrim) confirmou a versão apresentada por familiares do acusado, de que o veículo Argo vermelho, de placa PTJ-2844, pertencente ao pai dele, não é o mesmo que aparece no local do homicídio que vitimou Diogo. O crime aconteceu no final da manhã de terça-feira (16), em frente ao antigo bar Por Acaso, na Lagoa da Jansen.

A versão de que o carro havia sido clonado foi apresentada pela defesa de Ayrton à Polícia Civil, ainda no dia do crime, quando ele se apresentou, à noite, na sede da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), acompanhado do seu advogado.

Segundo o perito criminal e diretor do Icrim, Robson Mourão, foram analisados os vídeos com as imagens macroscópicas e microscópicas dos dois Argos, que estavam em locais diferentes, e o resultado foi que, mesmo sendo a mesma placa, eles são veículos de versões diferentes. “Nós temos a convicção de que existem elementos diferentes entre os dois carros. Por exemplo, a varinha pequena no friso esquerdo que tem em um, não tem no outro. Também uma mancha, adesivos e um limpador de para-brisas traseiro. Temos a certeza de que são carros distintos, após essa análise técnico-cientifica”, explicou.

Além desse comparativo entre os veículos, foi realizado, ainda pelo Icrim, o exame no carro que foi localizado na oficina mecânica pertendente ao pai de Ayrton. Conforme o perito, não havia resíduo de pólvora dentro do automóvel e também foi confirmado que ele não era clonado. “Se esse não é clonado, o outro é. O Fiat Argo vermelho que aparece nas imagens do posto de combustíveis não é o mesmo que passa na avenida em frente ao condomínio da vítima. O clonado é o que se envolve no homicídio”, pontuou.

ARGO DO PAI DE AYRTON PESTANA NÃO SAIU DO LOCAL – De acordo com o delegado George Marques, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), o resultado do laudo do Icrim mostra, ainda, que não teria possibilidade de o mesmo carro apreendido, de propriedade do pai de Ayrton, ter sido usado no crime. “Pelas imagens, o veículo não saiu do local onde se encontrava, no bairro da Camboa, no mesmo instante em que estava acontecendo o homicídio”, frisou.

O novo fato apresentado pela perícia, conforme o delegado George, de imediato foi enviado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, o que possibilitou a imediata soltura do rapaz que permanecia preso preventivamente no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Ayrton Pestana foi solto por volta das 22h, sendo recebido por familiares na porta do presídio com muita comemoração. O mesmo aconteceu quando ele chegou em sua residência. No percurso para casa, ainda comeu uma pizza que foi levada pelo pai, com uma coca-cola.

INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO – O delegado George Marques explicou que, a partir de agora, prosseguem as investigações para se chegar aos verdadeiros autores do crime. Algumas informações sobre um Fiat Argo, semelhante ao usado no crime, que foi roubado de um motorista de aplicativo, no último sábado (13), na descida em frente ao Barramar, já estão sendo checadas pela polícia.

“O proprietário desse veículo foi ouvido. Ele nos informou que foi assaltado por dois suspeitos, e nos deu características que possibilitaram a elaboração de um retrato falado. Vamos apresentar esse retrato dos envolvidos no roubo do Fiat Argo; e que, talvez, seja o mesmo veículo utilizado no homicídio”, frisou.

Conforme o delegado, todas as informações que chegam até a polícia estão sendo verificadas. “Vamos continuar investigando, e testemunhas ainda serão ouvidas, para que tenhamos a motivação, materialidade, circunstância e cheguemos ao autor”.

O CRIME – Diogo foi assassinado no final da manhã de terça-feira, 16, depois de sair de casa, na Rua Frei Antônio, Edifício São Gabriel, na Lagoa da Jansen. No momento que saía da garagem, ele botou a frente do carro – um veículo Renaut Kwid, branco, placa PTB-2770 – além da calçada e quase era atingido pelo condutor do Argo, que ainda desviou e por pouco não bate em outro carro que estava estacionado do outro lado da rua. Nesse instante, supõe a Polícia, Diogo teria sido “chamado a atenção” com uma forte buzinada. Como se pode observar em imagens de câmera instalada na rua, o condutor do argo segue em frente, sem abrir o vidro (fumê) e, instante depois, observa-se Diogo seguindo atrás. Da casa dele até o local do crime são aproximadamente 200 metros, já na avenida da Lagoa da Jansen. Acredita-se que Diogo acelerou, passou pelo argo e o ‘trancou’. Depois, desceu do carro e se dirigiu até o outro automóvel, cujo condutor abriu o vidro e teria sido atingido com um soco no peito. Agredido, puxou a arma e atirou de dentro do carro, atingindo o publicitário a altura do pescoço. Pelas imagens das câmeras de segurança da área, conforme a Polícia Civil, é possível ver o condutor do Argo efetuando o disparo que atingiu mortalmente Diogo. “O disparo foi efetuado de dentro do veículo e não conseguimos nenhum tipo de cartucho que possa identificar o calibre da arma”, disse o delegado Wang Chao Jen, que investiga o caso.

Diogo, que era noivo e deixou uma filha de 20 anos, trabalhou na  Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), onde permaneceu no setor de Comunicação Social até o ano de 2016.  Ele era filho de Conci Sarney (Concizinha) e irmão de Gustavo Adriano, que foi diretor do fórum eleitoral do Maranhão.

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