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Indústria 4.0: Pegada de carbono no Brasil passa por agricultura digital e conectividade no campo

Foto: Reprodução

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil terá que crescer em 41% sua produção até 2030 para atender à demanda mundial por alimentos. Ao mesmo tempo, precisamos preservar nossas florestas, minimizar a aplicação de defensivos e fertilizantes, otimizar o consumo de recursos hídricos e reduzir em 50% a emissão de gás carbônico na atmosfera, meta assumida pelo país na última COP26, ano passado, em Glasgow.

Como crescer rapidamente nossa produção ao mesmo tempo em que reduzimos nossa pegada de carbono? Um problema insolúvel?

Não. A boa notícia é que esse desafio tem solução e ela passa por tecnologia e digitalização na agricultura e agroindústria.

Nós vivemos um momento único de transformação tecnológica: inteligência artificial, robótica, eletrificação, metaverso, 5G e IoT aplicadas à agroindústria e agricultura digital podem revolucionar a eficiência, produtividade e sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Isso significa multiplicar a quantidade de alimentos produzidos em uma mesma área, com menor consumo de água e energia, menor aplicação de agroquímicos, mantendo-se e até melhorando a qualidade dos produtos produzidos.

Poucas vezes na história o avanço tecnológico e industrial caminhou lado a lado com a preservação da natureza, uma demanda dos consumidores, dos investidores e da sociedade como um todo. As grandes evoluções tecnológicas do passado causaram um impacto ambiental negativo, amplamente sustentadas na queima de carvão e petróleo.

Tecnologia no agronegócio influencia produtividade no campo
Imagem: Budimir Jevtic / Shutterstock
A Indústria 4.0 e tudo o que orbita ao seu redor tem o poder inverso – é capaz de reduzir a pegada de carbono e até gerar créditos nesse mercado. É limpa e capaz de reduzir consumo de combustíveis, energia elétrica e água, além de facilitar o uso racional de produtos químicos e outros insumos.

Dentre as soluções tecnológicas com maior impacto no agronegócio nos próximos anos, podemos mencionar:

Agricultura:
– Monitoramento em tempo real e otimização de colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras, tratores. Ampla oportunidade de redução no consumo de combustíveis e desperdícios nos processos de aplicação de fertilizantes, defensivos e demais insumos;

– Agricultura de precisão, com potencial impacto de mais de três vezes na produtividade das lavouras, com aplicações de defensivos e fertilizantes em taxa variável, por exemplo;

– Sensores de umidade, estações meteorológicas e sistemas automatizados de irrigação;

– Gestão e otimização de pessoas e frotas via smartphones e rastreadores;

– Aplicação de metaverso (realidade aumentada) para melhor operação e manutenção de máquinas e equipamentos;

– Inteligência artificial e processamento de imagens para combate a pragas e identificação de ameaças à plantação.

Agroindústria:
– Eliminação de cabos nos processos produtivos, dando maior agilidade nos relayouts (inovações) e lançamentos de novos produtos;

– Implantação de gêmeos digitais e uso de sistemas MES (Manufacturing execution system) – um sistema que tem como principal objetivo conectar o chão de fábrica à gestão – para otimização da produção;

– AMR (robôs móveis autônomos) para auxílio nos processos de produção e gestão de estoque;

– Robotização da planta em várias fases do processo de produção;

– Video analytics para controle de qualidade e segurança nos processos;

– Gestão de ativos e segurança de pessoas na operação;

– Sensoriamento e manutenção preditiva dos equipamentos;

– Rastreamento dos produtos, desde sua produção até a entrega e venda nas prateleiras dos supermercados.

As inovações tecnológicas mencionadas não esgotam as pesquisas, testes e casos de sucesso que temos acompanhado no Brasil e no mundo, mas nos permitem analisar os desafios para essa implantação e planejar como acelerar sua adesão nas mais variadas culturas. Nenhuma das aplicações mencionadas acima são futurísticas. Todas vêm sendo amplamente adotadas nas lavouras de cana, soja, algodão, cítricos, milho e pecuária intensiva.

E os principais desafios enfrentados são normalmente os mesmos:

– Falta de mão de obra qualificada, desde agrônomos a coordenadores e operadores de máquinas;

– Pouca maturidade gerencial e conhecimento por parte dos produtores rurais;

– Ausência generalizada de conectividade de qualidade.

Como ConectarAGRO temos trabalho nesses três elementos, fundamentais para o crescimento do setor. Explorarei em mais detalhe o terceiro item: conectividade.

A conectividade é o alicerce do processo de transformação digital. Sem ela a irrigação não pode ser automatizada ou falhas em máquinas podem ser evitadas. Saindo do campo para a indústria, os ganhos de produtividade e eficiência são inalcançáveis sem uma nova plataforma de comunicação entre máquinas, coisas e pessoas.

Dito isso, a solução mais efetiva para conectar o campo brasileiro é o 4G, enquanto o 5G deve ser amplamente adotado no curto prazo para conectar o campo às indústrias brasileiras.

Conectar o campo, que tem menos de 11% de cobertura, requer a construção de torres e energia e, como o 4G tem maior propagação que o 5G, recomendamos essa tecnologia para a agricultura digital. O 4G em 700MHz dá conta do recado das demandas do campo nos próximos anos e deve custar até 10 vezes menos.

Conectar a indústria, por sua vez, não requer construção de torres elevadas, basta ativação da solução 5G em torno da planta, onde a maior velocidade (throughput em bom tecniquês), baixo tempo de resposta da rede e confiabilidade permitirá que todas as tecnologias previstas nas plantas fabris, usinas, centros de armazenamento e distribuição sejam ativadas e exploradas em sua totalidade, sem falhas ou desafios de cobertura e qualidade.

Perguntam-me com frequência: mas se o investimento em tecnologia é tão positivo, por que ainda não conectamos todo o campo brasileiro?

Eu diria que o primeiro desafio é a aversão a risco do produtor rural. A agropecuária tem enorme dependência de fatores que fogem ao controle humano, como volume de chuvas, temperatura, presença de geadas e surgimento de pragas e doenças. Além de todos os fatores de risco inerentes a qualquer outro negócio, como variabilidade nos preços de commodities e insumos e concorrência. Com todos esses riscos inerentes ao negócio tende-se a minimizar empreitadas em áreas de menor conhecimento e experiência.

Os muitos casos de sucesso nos últimos anos, em grandes grupos agrícolas como Citrosuco, Jalles Machado, Bom futuro, Amaggi, SLC, entre outros, tendem a inspirar e acelerar a adoção tecnológica. A ConectarAGRO e seus parceiros têm trabalhado para divulgar e facilitar o início do processo de digitalização de empresas e produtores.

A realidade é que tanto o 4G como o 5G são tecnologias amplamente adotadas em todo o mundo e auxiliarão agricultores e gestores industriais a minimizarem seus riscos, reduzirem seus custos e aumentarem sua produtividade. Você pode iniciar esse processo de transformação hoje. Não tratamos de futurologia nesse artigo, mas de uma grande oportunidade de negócio de curto prazo.

Foi nesse ambiente que a associação ConectarAGRO foi criada, por meio da união de empresas de diferentes segmentos interessadas em apoiar os produtores a vencerem esses desafios. Esse é o modelo de negócio que vai dar certo: o de união, de soma, de superação de diferenças para um bem maior. Esse é o momento certo para mais um grande salto do agronegócio brasileiro, o da conectividade digital. (Renato Bueno – Líder do Comitê de Expansão de ConectarAGRO. Portal Olho Digital, editado por Adriano Camargo)

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