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GPM aposta em números de granéis sólidos para viabilizar projeto logístico integrado no Maranhão

Foto: Reprodução

A Grão-Pará Multimodal (GPM) projeta obter a licença de instalação do Terminal Portuário de Alcântara (TPA) no segundo semestre de 2023. O empreendimento engloba uma ferrovia e um terminal de uso privado (TUP) na Baía de São Marcos, no Maranhão. A expectativa do grupo é que as obras tenham início em 2024, com as operações do porto e do tramo norte da Estrada de Ferro Maranhão (EF-317) a partir de 2027, consolidando-se em 2030 com as operações do tramo sul. O contrato da EF-317 foi assinado em dezembro de 2021, com prazo de 99 anos. Já o contrato de adesão do TUP foi celebrado três anos antes, com prazo renovável de 25 anos.

Uma das apostas do projeto é que a EF-317 viabilize o escoamento do crescimento previsto do agronegócio e mineração. O escopo da ferrovia prevê 520 quilômetros de extensão, com bitola larga, ligando o TPA a Açailândia (MA), onde chega a Ferrovia Norte-Sul (FNS). O tramo norte compreende o trecho entre Alcântara a Alto Alegre do Pindaré – entroncamento com a Estrada de Ferro Carajás (215 Km). Já o tramo sul abrange o trecho entre Alto Alegre do Pindaré a Açailândia/São Francisco do Brejão – entroncamento com a Norte-Sul (305 Km).

O projeto do TUP prevê 1.200 hectares e oito píeres, com até 405 metros de cais e profundidade mínima de 25 metros, permitindo navios de até 400.000 toneladas. Os empreendedores acreditam que o porto de águas profundas garante a atracação de navios de maior porte para embarque de cargas do agronegócio com segurança, o que se reflete na economia no frete marítimo e em ganhos ambientais gerados a partir da mudança da frota marítima para exportação de soja brasileira para a China.

O diretor-executivo da GPM, Paulo Salvador, disse à Portos e Navios que hoje o maior volume de exportação de soja no Brasil ocorre por navios Panamax (60.000 toneladas a 85.000 toneladas) e navios de portes maiores geram economia de escala a partir da diluição do custo fixo do navio para transporte de longas distâncias. O entendimento é que, caso todos os principais portos do país comportassem um capesize (120.000 toneladas a 200.000 toneladas), o Brasil ganharia em competitividade de 12,5% no custo total de exportação para a China e reduziria as emissões de CO2 em aproximadamente 30%.

As projeções dão conta de um gap anual de 160 milhões de toneladas entre a atual capacidade portuária e ferroviária e a previsão de demanda para 2030. A GPM trabalha com o cenário de crescimento acelerado previsto para o agronegócio brasileiro nesse período, que inclui crescimento das exportações e da importação de fertilizantes no contra-fluxo. Na mineração, a GPM enxerga um mercado potencial que pode até duplicar em 10 anos. “Vamos [setor logístico] ser obrigados a dar uma resposta maior do que isso”, analisou Salvador.

O executivo explicou que o empreendimento funcionará como um ‘condomínio portuário privado’, onde a GPM investe na infraestrutura básica do porto e na manutenção da infra e superestruturas básicas comuns e que os operadores aportam recursos na construção de suas estruturas próprias de estocagem e manuseio de produtos, pagando as devidas tarifas portuárias. O modelo de negócios prevê ainda que a GPM invista na construção e realize a manutenção da infraestrutura da ferrovia. Os operadores, por sua vez, deverão trafegar com suas próprias composições e pagar pelo direito de passagem e/ou tarifas.

Outra frente vislumbrada pela GPM, para o médio e longo prazo, é formar um hub de amônia e hidrogênio verde para fertilizantes e exportação. “O Maranhão tem um potencial de insolação e eólico grande e a viabilidade de criar um hub de hidrogênio verde — não de forma tão imediata. O agro e o minério são necessidades prementes”, avaliou Salvador.

A GPM prevê um investimento total da ordem de US$ 2,1 bilhões, com 30% de equity e 70% de dívida, a ser paga pelos contratos a serem firmados e pelas outorgas que o condomínio receberá. Os valores foram quantificados com base nos números previstos pelos mercados de minério de ferro e de grãos (soja e milho), bem como das expectativas de importação de fertilizantes. “No momento, nosso foco está em obter as licenças ambientais e puxar os primeiros contratos. Temos acordo com as comunidades do entorno do porto e participamos das primeiras audiências com Ibama”, relatou Salvador. (Danilo Oliveira – Portos e Navios)

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