O secretário de Educação do Maranhão, Felipe Camarão, afirmou, em entrevista ao portal maranhense Diário 98, que deve concorrer a um cargo de deputado federal, ano que vem, por um partido de centro-esquerda. Camarão se desfiliou recentemente do DEM e está com conversas avançadas entre o PSB e o PT, com maiores possibilidades para o PT.

Integrante do governo Dino desde 2015, Camarão comemorou os dados históricos de crescimento do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) como uma comprovação de que as ações do governo maranhense, como o Escola Digna e o maior salário de professor do Brasil, atestam o sucesso da política pública e dos indicadores de qualidade do ensino.

No Nordeste, o índice de 3,7 mantém o Maranhão entre os três primeiros estados da região, ficando atrás apenas de Pernambuco (4,4) e Ceará (4,2), que investem há décadas em educação pública.

Eis a entrevista:

– Secretário, quais são seus planos? O senhor vai ser candidato a algum cargo em 2022?

 Eu serei. Durante muito tempo relutei em entrar na política partidária. Sou servidor público desde os 19 anos. Eu tenho 39, vou completar 20 anos de serviço público. Sou Procurador Federal já há 15 anos. E sempre exerci cargo de chefia e liderança. Tanto a procuradoria, quanto no governo do Estado. Fui presidente do Procon duas vezes e já fui chefe de diversos setores da Procuradoria Federal, que é meu órgão de origem. Sou professor da UFMA. Na gestão pública, além de Secretário de Educação, onde estou hoje, já dirigi outros seis órgãos do governo Flávio Dino.

Cogitaram para eu ser candidato em 2016, depois em 18, eu sempre relutando. Mas depois eu refletindo com a minha família, amigos e com o governador Flávio Dino também, eu percebi que o mandato eletivo é importante por duas razões especiais. A primeira para poder fazer uma defesa do legado que o governador Flávio Dino está deixando no Maranhão. Do legado do programa Escola Digna, que eu tenho muita honra de coordenar, assessorando o governador Flávio Dino. Então, esse é um trabalho para fazer a defesa de continuidade do que a gente conquistou, das escolas em tempo integral, das Escolas Dignas, enfim, do melhor Ideb da História do Maranhão.

E a segunda razão, entendi que, com o mandato eletivo, por exemplo como deputado federal, que é minha pretensão, eu vou conseguir ajudar mais ainda o Maranhão, também em outras áreas, não apenas na educação. Destinando emendas, recursos, fazendo indicações, enfim, exercendo o bom trabalho parlamentar.

Então, me sinto preparado para isso, depois de tanto trabalho, foram quase sete anos e meio como gestor do governo Flávio Dino. Eu acho que eu posso contribuir. Se Deus quiser e a população permitir e tiver essa vontade eu vou emprestar meu nome para poder ajudar o Maranhão sim.

Tudo indica que o governador Flávio Dino vai para o PSB. O senhor deve acompanha-lo?

Eu me desfiliei do DEM, partido que eu fui filiado no ano de 2018 até essa semana que passou, e eu vou seguir um caminho ou do governador ou no apoio ao governador Flávio Dino; isto é, partidos que tenham o pensamento progressista. Partidos que são denominados, por assim dizer, de esquerda e centro esquerda, por conta da ideologia que eu tenho, de um pensamento mais voltado ao social. Então, o PSB se torna uma opção importante, mas eu estou com conversas muito adiantadas com o PT [Partido dos Trabalhadores], um partido que se tudo der certo terei muita honra de ingressar e fazer parte desse.

O Maranhão paga o maior salário de professor do Brasil. Como que isso é possível?

Todo mundo fica espantado com isso. Eu vou te dizer dois caminhos que nós construímos pra isso. O primeiro deles: 100% do Fundeb do Maranhão é destinado ao pagamento de professores. Isso vai mudar este ano em razão do novo Fundeb aprovado, que exige 15% aplicados em investimento. O salário dos professores é classificado orçamentária e financeiramente como custeio. Então nós teremos que continuar com a prioridade para a educação dos professores. Porque mesmo quando o Fundeb era 100% para pagamento dos salários, o governador Flávio Dino já aportava recursos do Tesouro para pagamento dos salários. E agora, com essa nova regra, nós teremos que aportar mais recursos para continuar pagando. E isso foi uma escolha, uma decisão política do governador de valorizar a categoria dos professores.

Essa decisão quando foi tomada, a partir de 2016 e 2017, quando a gente conquistou esse primeiro lugar, foi criticada por alguns especialistas inclusive fora do Maranhão, dizendo o seguinte. Porque o Maranhão não tinha ainda, naquela época, bons resultados, bons índices, nós deveríamos primeiro buscar os resultados e depois premiar os professores. Nós fizemos uma lógica inversa porque infelizmente a educação aqui sempre foi tratada de maneira muito perversa no Estado do Maranhão. Perversa no sentido que nunca foi tratado como prioridade absoluta, de forma técnica, de valorização efetiva dos professores.

Para você ter uma ideia, nos 16 anos anteriores ao governo Flávio Dino, nós tivemos 14 greves de professores. Em verdade, essas greves atravessavam de um ano para outro. E hoje o governo Flávio Dino já está há seis anos e meio, e graças a Deus sem nenhuma greve de professores. Porque nós temos um amplo respeito e diálogo com a categoria. Então é um esforço muito grande e tem apresentado resultado.


Quais os principais desafios da educação no Maranhão nos próximos anos?

A prioridade é a alfabetizar na idade certa. Isso é urgente, imprescindível e fundamental. Foi assim que o Ceará conseguiu chegar onde está, Pernambuco. Os países chamados desenvolvidos todos, independente de ideologia política. Se você vai para países que são governados pela direita, esquerda, comunistas, capitalistas, não interessa. Tanto faz ser do hemisfério norte ou do sul, como por exemplo a Austrália. Todos, Japão pós-guerra, Alemanha pós-guerra. E o que eles têm em comum: forte investimento na educação básica, com muita força na alfabetização na idade certa, que garante uma escolaridade adequada nas demais séries; e um ensino técnico muito forte. E a partir quando eles foram se consolidando, eles se expandiram para investimento mais forte ainda no ensino superior, na pesquisa, na inovação.

Então qual o caminho que o Brasil e o Maranhão têm? É tentar fazer isso de uma forma mais rápida, célere. Nós estamos décadas atrasados. Então por isso que, aqui no Maranhão, o nosso Fundo de Amparo à Pesquisa (Fapema) foi uma das dez maiores agências de fomento à pesquisa do Brasil. Mais de 40 milhões investidos. O CNPq cortando Bolsa e nós aumentando a bolsa de pesquisa. Porque o Flávio Dino tem essa consciência, que a gente precisa fortalecer a alfabetização na idade certa. Ele foi o único governador que abriu uma universidade nesses dois últimos mandatos, que abriu uma universidade estadual, a UEMA Sul. Então, o programa Escola Digna não é só, como alguns pensam, construção e reforma de escola, mas uma macro política educacional que vai desde a creche até o pós-doutorado.

– O senhor é tido como um dos principais nomes do “dinismo” no Brasil. Flávio Dino tem projetado muitos novos nomes. Estamos vivendo uma época de renovação no Maranhão?

– Estamos tendo um grande momento de renovação. E eu digo com muito orgulho, sem bajulação, sem subserviência. Eu sou do time Flávio Dino. Sou dinista até embaixo d’água. Repito, não por bajulação ou subserviência, mas por gratidão e por exemplo. O Flávio governa com coração e com a razão. E essa parte do coração dele me motiva muito, me inspira, a parte da razão me faz aprender muito. Então sou muito grato ao que ele tem feito pelo nosso estado.

Eu dirigi seis órgão no governo Flávio Dino, graças a Deus com bons resultados. Então o Flávio abriu as portas para uma nova geração. E então eu não sou o único exemplo. Nós podemos pegar, por exemplo, o Rubens Júnior que é um deputado federal com grande destaque, hoje secretário de Estado também. Temos o Rodrigo Lago, nós temos o Diego Galdino, secretário de Governo. Anderson Lindoso, secretário de Cultura; o Daniel lá na Mobi; o Carlos Lula, na Saúde; o Cleiton Noleto na Sinfra. Uma série de pessoas que não têm sobrenome na política. Um ou outro tem alguma tradição. Mas a maioria o governador nem conhecia antes do governo. Eram apoiadores, eleitores dele. Ele foi ver pelo currículo, pela oportunidade. E cada um foi crescendo e conquistando seu espaço, com o apoio do Flávio claro. Então eu acho que o Flávio agora criou um novo leque de gestores públicos para o Estado do Maranhão. Algo que o Maranhão não tinha pelo que se estuda desde a época da década de 60, que não tem uma renovação tão grande aqui no Maranhão. No quadro de gestores.

O senhor está no governo desde o início. Defina a gestão do Flávio Dino em uma frase.

– Na verdade, eu estou com o Flavio bem antes, desde a transição. Então defino: como um governo de esperança.

– Procurador federal, professor universitário e secretário de Estado. Apesar de jovem já possui uma carreira de sucesso. O que ainda motiva a continuar a vida pública?

– Eu estava no ano passado na campanha política de prefeitos do interior. Tirei férias e fui circular o Maranhão. E em cada cidade que eu chegava para fazer a campanha política eu percebia que tinha uma Escola Digna naquela cidade. E aí eu comecei a fazer um discurso assim: olha, vocês sabem o que essa cidade tem em comum? O Programa Escola. Então quando eu falava isso, sempre aparecia uma pessoa e dizer: é verdade!, lá no meu povoado não tinha água e vocês colocaram água lá, você e o Flávio Dino colocaram uma escola lá.

Olha é verdade!, A gente não tinha um escola, era no barracão e agora a escola tá linda. Olha, a minha cidade tem um IEMA, o meu filho estudou em um IEMA. O meu filho foi para o Japão disputar um campeonato de robótica. Olha, o meu filho, lá de Bacabeira foi disputar um Campeonato Brasileiro de foguetes. Eu comecei a perceber assim: meu Deus eu já fiz tanta coisa com o Flávio que eu nem tinha me tocado com isso.

E aí eu percebia a gratidão das pessoas por algo que é nossa obrigação. E aí eu pensei assim, eu vou ter de continuar na vida pública pra tentar fazer minha parte e mostrar para as pessoas que o poder público tem como ajudá-las. Cada um tem que fazer sua parte, mas a gente pode construir algo diferente para que as pessoas saiam daquele clientelismo, do coronelismo, no voto de cabresto, de ficar com medo e tantas coisas nefastas na história do Brasil e aqui do Nordeste do Maranhão.

Eu quero continuar na política para primeiro continuar com esse trabalho de ajudar as pessoas. O segundo, entro com uma forte missão de combater essa prática antiga da política essa escravidão. Então eu vou entrar na política parafraseando Paulo Freire, que fala da pedagogia da libertação. Então eu vou querer fazer uma política da libertação. Para que as pessoas possam escolher seus próprios caminhos, deixem de ser gado. Deixem de acreditar em terralanismo, em notícia falsa. Em cloroquinas que estão por aí fraudando a mente das pessoas. Então quero entrar para fazer um bom combate. Para trabalhar com a verdade. O esclarecimento para que as pessoas tenham sabedoria e tome suas próprias decisões.