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Falta de diesel: alta de preço nos EUA e limite de exportação ameaçam Brasil

Foto: Reprodução

O preço médio do litro de gasolina nos EUA é menor que o valor pago pelos brasileiros, mas ele bateu mais um recorde na última semana e, em pelo menos um posto na Califórnia, chegou a passar de US$ 2,11 (US$ 10,15). Com o diesel também batendo recordes em território norte-americano, representantes do governo do presidente Joe Biden já levantaram a hipótese de restrição às exportações de petróleo, o que, em meio aos temores de desabastecimento de diesel, poderia ser catastrófico para o Brasil.

Nos EUA como um todo, o preço médio do galão de gasolina, que comporta cerca de 3,78 litros, bateu em US$ 4,761 (R$ 22,92), com o litro a US$ 1,26 (R$ 6,02), segundo o site de monitoramento “AAA Gas Prices”. Ainda que seja um valor abaixo da média brasileira, de R$ 7,25, é uma inflação superior à habitual no país de Biden. O galão do diesel também escalou e chegou a US$ 5,58 (R$ 26,78, ou R$ 7,08, o litro, mais caro do que no Brasil).

“Os EUA já adotaram restrições durante décadas antes e é bem plausível pensar que fariam isso de novo se a segurança energética do país for ameaçada. As alternativas para o Brasil são difíceis, porque a importação é muito complexa, um navio demora dias para chegar com o diesel”, detalha o coordenador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) Rodrigo Leão.

Por outro lado, o presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, diz não acreditar em restrições neste momento. “No entanto, se isso acontecer, sem dúvida vai aumentar a dificuldade de importação para o Brasil, uma vez que a oferta vai ficar mais limitada do que já está hoje. Com relação ao aumento do preço do diesel e da gasolina nos EUA, são commodities cotadas no mercado internacional e a elevação delas afeta a importação para o Brasil”, disse.

Em maio, a Petrobras enviou um ofício ao governo federal em que alertou para o risco de falta de diesel no Brasil no segundo semestre, quando a demanda tradicionalmente aumenta no país e nos EUA. Caso a escassez se confirme, pouco mais de uma semana depois o brasileiro poderia assistir à falta de alguns alimentos nos supermercados, segundo analistas do setor.

Mesmo que não haja restrição de importações de petróleo dos EUA, o abastecimento de diesel está ameaçado no Brasil por três principais fatores, na perspectiva do analista Eduardo Melo, da Raion Consultoria, especializada no mercado de combustíveis. “Temos elevação do preço no mercado global, que pressiona o preço da Petrobras e, sem reajuste, há desabastecimento. Temos a elevação do consumo na safra do segundo semestre. E, por último, fenômenos naturais, como furacões, que costumam ocorrer na região do Golfo do México e podem afetar a oferta de petróleo”, pontua.

A guerra na Ucrânia diminuiu a oferta de petróleo globalmente, o que fez a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciar, nesta semana, aumento da produção. Além disso, a pandemia desacelerou investimentos nas refinarias mundialmente, o que agrava a situação, lembra Melo. “O problema é muito concentrado no refino, porque os investimentos nos parques foram desestimulados e são de médio e longo prazo”, diz.

Rodrigo Leão, do Ineep, diz que a falta de investimentos é particularmente preocupante no Brasil e é um dos fatores que deve agravar a crise de abastecimento do diesel. “Se tivéssemos investimento em refino, não estaríamos com esse problema e poderíamos aproveitar o cenário atual para vender derivados do petróleo no mercado internacional, aproveitando que a Europa restringiu compras da Rússia”, diz. Reportagens de O TEMPO já revelaram que, com queda de produção, a Refinaria Gabriel Passos (Regap), administrada pela Petrobras em Betim, deixou de entregar 41 mil barris de combustível por dia.

Quem paga mais?

Litro de gasolina nos EUA: R$ 6,02

Litro de gasolina no Brasil: R$ 7,25

Litro de diesel nos EUA: R$ 7,08

Litros de diesel no Brasil: R$ 6,91

Salário mínimo nos EUA: R$ 6.017,19 (média considerando o pagamento mínimo de US$ 7,25, ou R$ 34,71 por hora)

(Gabriel Rodrigues – Valor Econômico)

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