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“Eu não fiz isso para forçar saída do partido, mas pelas minhas convicções”, diz Gil Cutrim

Gil Cutrim fala com exclusividade ao repórter Gil Maranhão, do JP, em Brasília. (Foto: Yan Karsten)

O deputado federal Gil Cutrim (PDT-MA) afirmou, nesta quinta-feira (11), em entrevista exclusiva ao Jornal Pequeno, em Brasília, que o seu voto favorável ao texto da Reforma da Previdência aprovada pelo Plenário da Câmara do Deputados não foi um ato de rebeldia, afronta ou desrespeito à direção do seu partido, o PDT, que orientou a bancada a votar contra a proposta. A atitude do parlamentar maranhense pode levar à sua expulsão dos quadros do partido.

“Eu não fiz isso para forçar uma saída do partido. Muito pelo contrário: estou muito bem no partido, votei em todas as matérias que o PDT defendeu na Casa (Câmara dos deputados) até hoje”, afirmou em entrevista ao jornalista Gil Maranhão – a primeira após a votação. “É um direito do partido”, diz ele sobre os boatos de expulsão, ressaltando que as lideranças do PDT (no Maranhão, na Câmara e em nível nacional) estavam cientes de sua decisão. Cutrim afirma que, inicialmente, era contra a Previdência. Mas mudou após serem retirados “vários instrumentos” que atingiam os mais pobres

*JORNAL PEQUENO – Deputado, o que levou o senhor a votar a favor da Reforma da Previdência, uma vez que o PDT tinha orientado posição contrária à proposta?
GIL CUTRIM – Primeiro, votei com a minha consciência, defendendo meus ideais. Claro, eu tenho todo respeito à ideologia partidária, ao estatuto do partido. Mas eu anunciei previamente ao partido a minha decisão, que foi única, mas uma decisão de oito deputados da bancada, e que também não foi combinada. Foi uma coisa de consciência

JP – O senhor chegou a ser contra a reforma no início da discussão do tema.
GC – No primeiro momento o PDT fechou questão contra o texto da reforma que foi enviada ao Congresso Nacional pelo governo Bolsonaro. Eu também era contra. Éramos contra a questão que mexia com a aposentadoria dos trabalhadores rurais; contra o que estavam querendo fazer com aqueles que estavam incluídos no BPC (Benefícios de Proteção Continuada), reduzindo de um salário mínimo para R$ 400,00; contra o sistema de capitalização pregado na proposta inicial; e contra uma série de outras coisas. A partir do momento que começamos a debater o texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da qual faço parte, e onde nós apresentamos um voto em separado contra a reforma da Previdência e todos esses institutos que estavam querendo tirar o direito do trabalhador e dos mais pobres, e quando foi para a Comissão especial da Previdência, foi alterado e absolvido tudo isso do texto original, aíeu me senti confortável …

… Então, a Nova Previdência, na sua opinião, não atinge os mais pobres?
No meu entendimento, agora não está tirando os privilégios daqueles que não têm, que são os pobres. A nova reforma combate o privilégio dos mais ricos. Eu tenho muita consciência. Talvez, as pessoas não têm total conhecimento, na íntegra, do que a reforma da Previdência está pregando. Então, a gente tem que entender para depois tecer os comentários e as decisões.

JP -E com relação ao PDT, se a direção tomar a decisão mais drástica, de expulsá-lo?
GC – É um direito do partido. O estatuto prega a fidelidade aos posicionamentos do partido. Mas eu quero deixar bem claro que minha decisão não foi nada contra o partido, nem contra os líderes da legenda. Muito pelo contrário, o senador Weverton Rocha é conhecedor do que eu defendi junto a ele. Ele tentou ainda buscar o entendimento de consenso. Eu expliquei os meus motivos e ele entendeu de forma coerente e bastante madura. Assim com o expliquei ao presidente nacional do Partido (Carlos Lupi) e ao líder do nosso partido na Câmara, André Figueiredo. Mas eu não posso ir de encontro às minhas convicções, às minhas ideologias.

JP – O senhor vai acatar então a decisão do PDT?
GC – O partido eu acho que tem que entender. Tem que ter uma maturidade agora, a partir deste momento ter um pensamento mais democrático internamente. A expulsão, que é uma punição drástica, dura, que eles têm direito de fazer, eu vou respeitar e a catar com muita dor, porque eu não quero sair do partido. Eu não fiz isso para forçar uma saída do partido. Muito pelo contrário: estou muito bem no partido, votei em todas as matérias que o partido defendeu dentro da Casa até hoje, e continuarei votando, inclusive nos Destaques que serão apreciados a partir de agora no Plenário. Estou à disposição do partido. O que o partido decidir iriei acatar a meu favor ou contra.

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