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Declaração de Trump sugere que matéria do HuffPost sobre ameaça ao AST é Fake News

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Uma declaração do presidente norte-americano Donald Trump, publicada, nesta quarta-feira, 4, pelo Valor Econômico/Mundo, oriunda do site Dow Jones Newswires, sugere que é fake news a matéria publicada na manhã de hoje pelo site HuffPost, dando conta de que os Estados Unodos estariam ameaçando cancelar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) para uso da Base de Alcântara, se o Brasil mantiver a China no leilão 5G. (Veja matéria ao final).

“Negociações comerciais com a China estão ‘indo muito bem’, diz Trump”, publicou o Dow Jones Newswires, conforme o Valor/Mundo.

Eis a íntegra da matéria:

“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta quarta-feira, que as negociações comerciais com a China estão ‘indo muito bem’, um dia após ter declarado que estava disposto a esperar até depois das eleições presidenciais de 2020 nos EUA para firmar o pacto.

‘As conversas estão indo muito bem e veremos o que vai acontecer’, afirmou. A declaração do mandatário americano foi feita em Londres, onde ele e outros líderes de países-membros da Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão reunidos.

Mais cedo, fontes disseram à agência Bloomberg que EUA e China estavam próximos de um acordo sobre a quantidade de tarifas que seriam revertidas em um acordo comercial da ‘primeira fase’, apesar das tensões referentes a Hong Kong.

O cenário para as negociações comerciais vem se tornando mais complexo em meio a medidas e ameaças de parte a parte.

A Câmara dos EUA aprovou ontem (3) um projeto de lei que exigirá que o governo Trump endureça sua resposta à repressão da China contra sua minoria muçulmana, exigindo sanções contra altas autoridades chinesas e proibições de exportação. A China já havia sinalizado que publicaria uma lista de “entidades não confiáveis” que poderia levar a sanções contra empresas americanas, caso a proposta relacionada à minoria étnica uigur em Xinjiang fosse aprovada.

Na segunda-feira (2), Trump disse que as negociações comerciais com a China tinham se complicado com a legislação que ele assinou na semana passada, ameaçando impor sanções a autoridades que minarem a semiautonomia de Hong Kong em relação a Pequim. (Dow Jones Newswires – Valor — Londres)

Fake News – Mais cedo, O INFORMANTE publicou a íntegra da matéria do HuffPost, na qual o brigadeiro do ar Rogério Veríssimo, que coordena o grupo de trabalho brasileiro formado para implementar o acordo, nega a informação e a classifica como ‘fake news’.

Confira:

O governo dos Estados Unidos fez chegar ao presidente Jair Bolsonaro um recado que pode ser considerado uma retaliação muito maior que taxar o aço: o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas para uso da base de Alcântara, no Maranhão, está ameaçado caso o Brasil mantenha os chineses no leilão 5G — que está previsto para o segundo semestre de 2020. Os americanos temem espionagem e alegam que não vão utilizar sua tecnologia espacial em um país no qual as redes de tecnologia da informação são controladas por seu rival comercial, a China.

O AST permite o uso comercial da base de Alcântara para o lançamento de satélites, mísseis e foguetes americanos. Em contrapartida, o Ministério da Defesa estima um faturamento de até US$ 10 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) por ano com o aluguel do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Ao HuffPost, o brigadeiro do ar Rogério Veríssimo, que coordena o grupo de trabalho brasileiro formado para implementar o acordo, nega a informação, a qual classificou como “fake news”. “Não há a menor chance de o AST ser prejudicado por conta da China. Fake news. AST já está aprovado por lei”, afirmou o brigadeiro Veríssimo em troca de WhatsApp. A reportagem confirmou a advertência recebida dos EUA com diplomatas e interlocutores do governo.

Apesar da alegação do brigadeiro Veríssimo, que dá a entender que não há como voltar atrás no acordo, há trechos no texto do próprio AST que abrem espaço para os EUA colocá-lo em suspeição, em especial sobre a questão de troca de tecnologia. É o caso do artigo IX, que trata da implementação:

“As Partes deverão entrar em consultas, por solicitação de uma das Partes, para avaliar a implementação deste Acordo, com particular ênfase na identificação de qualquer ajuste que possa ser necessário para manter a efetividade dos controles sobre a transferência de tecnologia”.

O Acordo de Salvaguardas Tecnológico de Alcântara foi aprovado no Senado em 12 de novembro, e existe um grupo que reúne 13 ministérios trabalhando para sua implementação. Desde o governo Fernando Henrique Cardoso o Executivo tentava tirar o AST do papel e o Palácio do Planalto tem se vangloriado de que foi a relação próxima da família Bolsonaro com Trump que propiciou sua assinatura em Washington, em março deste ano.

Brasil vira alvo

A mensagem com a ameaça da suspensão foi enviada de maneira informal, pela diplomacia dos EUA à brasileira, dias após a realização da cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), realizada em Brasília em meados de novembro.

O evento, monitorado de perto pelo governo americano, contou com várias sinalizações de Bolsonaro aos chineses. A princípio crítico da China, o mandatário brasileiro disse que o país “cada vez mais faz parte do futuro do Brasil”.

O Brasil tem objetivos claros na relação com a China. Aumentar o valor agregado das exportações brasileiras, atualmente concentradas em commodities é um deles. Há uma demanda crescente pela carne suína, bovina e de frango brasileira — motivada pela febre aftosa africana, que reduziu os rebanhos. De janeiro a outubro de 2019, o País exportou 3,86 milhões de toneladas do produto, aumento de 44% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Outro foco é atrair investimentos em infraestrutura, fato sinalizado pelo presidente chinês Xi Jinping durante a cúpula dos Brics. A China colocou à disposição do governo Bolsonaro mais de US$ 100 bilhões de ao menos cinco fundos estatais.

O movimento desta segunda-feira (2) de Donald Trump de anunciar sobretaxa sobre o aço brasileiro e argentino, acusando os países de manipular o câmbio, foi interpretado internamente por alguns palacianos como estratégia eleitoral do presidente dos EUA. Pode, porém, resultar num movimento de aproximação de Bolsonaro com a China, embora muito esteja em jogo agora, com a ameaça americana da vez.

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