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“Covarde, oportunista e equivocado”, diz Jefferson Portela ao condenar ‘nota de repúdio’ do deputado Yglésio

Jefferson Portela reagiu forte a uma nota de repúdio do deputado Yglésio sobre o 'Caso Diogo'

 

Em nota de repúdio, o deputado Yglésio Moisés, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado, responsabilizou os veículos de comunicação e as redes sociais, nesta sexta-feira, 19, pelo erro da Polícia Civil na prisão do jovem Ayrton Campos Pestana, inocentado, ontem, de ter assassinado o publicitário Diogo Adriano Costa Campos, terça-feira, 16, na Lagoa da Jansen.

“A precipitada e desastrada prisão preventiva de Ayrton Pestana, cuja autoria no delito foi descartada por laudo do Instituto de Criminalística (Icrim), demonstra a fragilidade de agentes públicos, que, embora bem intencionados ao cumprimento de seus ofícios, permitiram ser manipulados por pressos externas ás instituições que integram, principalmente dos veículos de comunicação e das redes sociais. Note-se que, para a prisão preventiva ser decretada, deve existir indício de autoria, e ante a inocência de Ayrton Pestana, é evidente que esse requisito não foi cumprido, conforme determina o artigo 312, do Código de Processo Penal”, diz um trecho da nota do parlamentar.

Na nota, o deputado Yglésio manifesta repúdio à prisão preventiva de Ayrton, “injustamente apontado como autor  do homicídio do publicitário Diogo Campos”. Segundo o parlamentar, “a consternação com a qual foi recebida  a notícia deste assassinato atormentou a todos, e manifestações para que o culpado fosse identificado com a maior brevidade possível dominaram as redes sociais, mas as instituições do sistema de Justiça, em especial as que têm a incumbência pela investigação criminal, não devem estar suscetíveis a clamores públicos. Espera-se sempre uma atuação célere para a elucidação  de crimes bárbaros, até mesmo para que o decurso do tempo não ocasione o perecimento das provas, mas celeridade não deve significar com direitos e garantias fundamentais”.

A nota do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa provocou reações imediatas na imprensa. Num comentário preciso em seu programa, na Rádio Mirante AM, o radialista Jorge Aragão classificou a nota do deputado Yglésio como oportunista, equivocada de desnecessária, ao fazer uma ampla e correta avaliação de todo o fato. Em seguida, o secretário da Segurança Pública, Jefferson Portela, ligou para o programa, elogiou o comentário, classificou como histórica a manifestação de Jorge Aragão, disse que deveria ficar gravada nos anais da imprensa e, por fim, fez críticas duríssimas ao deputado presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Disse Portela: “Você está corrigindo um absurdo, uma covardia inominada, indigna de um representante popular covarde e vil. Aproveitando a dor das pessoas, num momento difícil para as duas famílias diante de um problema grave, vem com uma postura dessa, tentando lançar acusações falsas e indignas, de um modo geral, contra todo mundo. Esse cidadão, deputado Yglésio, deveria ter respeito por ele próprio, na condição que se coloca de pré-candidato (a prefeito de São Luís). Não se pode ganhar votos com iniquidades, não se pode postular um mandato em cima de inverdades e leviandades, com uma postura que não agrega para a construção social social da paz e da harmonia que devemos ter. Todos nós temos um posicionamento, todos nós temos uma convicção, acreditamos em coisas que defendemos, mas não podemos defendê-las com mentiras; temos que defendê-las com a verdade. Em nenhum momento, o sistema de segurança, através da Polícia Civil, neste caso concreto, desconsiderou possibilidades. No primeiro momento surge um carro com uma placa identificada. Se buscou o proprietário desse carro. Depois, no intermédio, nas buscas feitas pelo delegado de homicídios, fatos aconteceram, os quais motivaram o delegado a representar pedindo a prisão preventiva. Houve erro quanto à identidade do autor? Sim. Mas não houve manipulação para atribuir uma maldade contra aquela pessoa, naquele momento, apontada ali, por circunstâncias, como autora do fato. Não houve malignidade do delegado, de modo algum, e ele representou ao judiciário pela decretação da prisão, e foi decretada. Mas em nenhum momento, desde aquela fala de uma senhora que é tia (Kátia Campos) do Ayrton, de que ele era inocente, eu fui perguntado pela imprensa, e coloquei: ‘está (Ayrton) sendo interrogado na Superintendência de Homicídios. Após isso, a SHPP (Superintendência de Homicídio e Proteção à Pessoa) dará uma posição oficial’. De imediado as análises começaram a ser feitas e o carro submetido a perícia para fazer o contraste de imagem, para se ter uma posição oficial. E eu quero dizer aqui, me permita, que a família do Ayrton foi recebida ontem (quinta-feira) cedo, durante a sua manifestação, pelo delegado geral da Polícia Civil, Dr. Leonardo Diniz, que, instantes após, recebeu a família da vítima, Diogo Costa. À tarde, recebi no meu gabinete irmãos do Diogo Costa, conversamos com eles, e ninguém, eles, familiares do Diogo, manifestaram qualquer intenção contra o Ayrton: manifestaram intenção de achar o culpado, mas não tiveram ânsia de fazer injustiças, ataques a ninguém: nem a família do Diogo, nem a família do Ayrton, nem a imprensa, nem a polícia… ninguém teve mau comportamento diante desse problema. Mau comportamento é esse, de lançar uma acusação vã, genérica e sem conteúdo, só talvez numa ânsia de ganhar votos. Mas você me conhece, sabe que sou homem de posição. Eu não recuo perante uma autoridade que usa indevidamente o poder que lhe foi concedido, pela graça de Deus e pela vontade das pessoas. Não recuo e não abro mão. Se esse deputado quiser debater, podemos debater aqui, nesse programa. Se ele quiser questionar, estou à disposição como chefe do sistema de segurança”.

O secretário Jefferson Portela disse, ainda, que o deputado Yglésio, nesse momento grave, “vem brincar diante de uma tragédia. Ele tem que lembrar que tem duas famílias sentindo dores e que tem profissionais preocupados com o fato que aconteceu em relação ao cidadão Ayrton Campos. Claro que os nossos delegados que estavam lá naquela noite, que fizeram procedimentos, estão com seus questionamentos; mas, no sentido de buscar a verdade sobre os fatos, inclusive a verdade de comunicar ao judiciário sobre a conclusão do laudo pericial feito pelo Instituto de Criminalística do Maranhão. Foi com base em dados técnicos de investigação, provas técnicas que os delegados comunicaram ao judiciário a situação real do Ayrton Campos. O próprio delegado tratou de informar o poder judiciário sobre o que constatou o laudo pericial: no contraste dos veículos, ainda que houvesse identidade das placas: uma verdadeira, do carro do senhor Ayrton, e uma placa falsa colocada em um outro veículo similar ao veículo do sr. Ayrton Costa e de sua família. O delegado informou isso ao judiciário, que deliberou pela soltura do Ayrton. Não há problema algum se dizer sobre a inocência do Ayrton, em se reconhecer. Todo erro exige correção: agora, nenhum erro permite aproveitamento vil, sabotagem em cima de um dilema que atinge a todos nós. Todos nós, a família Costa, a família Campos, a Polícia, cidadãos e pessoas de bem querem que o autor desse triste homicídio seja encontrado. É isso que todo mundo quer. Ninguém quer criar falsa polêmica para ganhar algum interesse vil. Não é isso. Se a polícia tiver que dizer que errou, dirá publicamente”.

Acrescentou Jefferson Portela afirmou que “ainda que haja um erro, de uma pessoa ou órgão, não se deve tripudiar, para se obter vantagem em cima de um fato indesejado. Não é um ato criminoso se atribuir culpa a alguém. Ainda que haja uma responsabilidade objetiva pela atribuição de culpa a alguém, isso será reconhecido nesse patamar.

Por fim, o secretário disse que o deputado Yglésio está equivocado e pediu que ele “respeite a instituição Polícia Civil, respeite os homens e mulheres que trabalham lutando contra o crime. Use o tempo que o senhor tem, que nós não tempos, porque estamos na rua combatendo o crime, para refletir melhor antes de falar, antes  de acusar. E não seja oportunista. Nós recebemos as duas famílias e tudo que for preciso fazer para se corrigir essa situação será feito. Tudo será feito em nome da honra do sr. Ayrton Campos. Não é hora de brincar. É um absurdo essa sua nota de repúdio. Releia essa sua nota e tenha a hombridade de soltar outra nota pedindo desculpas ao povo do Maranhão. O senhor deveria ir à tribuna da Assembleia e pedir perdão, porque seu ato é vergonhoso, é abjeto, é vil, fere a nossa honra, e o senhor, com um ato só, atingiu de forma generalizada muita gente. Seu ataque fere a dignidade das pessoas. O senhor atingiu todo mundo, tenha respeito pelas pessoas. Não se pode se aproveitar de um momento de dor para tirar vantagens, pois foi essa a sua intenção, de tirar vantagem. Respeite o povo do Maranhão”.

 

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