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Como a vacina de Oxford deverá ser aplicada no Brasil

ÁFRICA DO SUL - Aplicação de vacina experimental desenvolvida pela Oxford e pela AstraZeneca em Johannesburgo: iniciativa global e cada vez mais acelerada. Felix Dlangamandla/Getty

Nesta segunda-feira, 20, o Brasil chegou a 2.118.646 casos confirmados de coronavírus e 80.120 mortes. A média móvel de casos registrados nas últimas 24 horas foi de 33.382,7 e 1041 óbitos. Os números estão estabilizados, mas ainda altos – fenômeno visto em outras cidades e países do mundo. A chegada de uma vacina é o único modo de respirarmos aliviados — e há motivos para otimismo. A notícia dos resultados positivos do primeiro teste do imunizante da Universidade de Oxford contra a Covid-19 em humanos foi recebida com grande entusiasmo pelos médicos. Segundo artigo publicado na revista científica The Lancet, ele induziu a produção células T e de anticorpos, mecanismos importantes e complementares que atuam no sistema de defesa do organismo. Se tudo der certo nas próximas etapas previstas, o medicamento estará liberado em setembro.

O Brasil encontra-se em uma posição privilegiada para o acesso a essa vacina, mas a chegada do medicamento deve demorar alguns meses. Além de participar dos estudos, o país fechou um acordo com a farmacêutica britânica Astrazeneca, responsável pela produção e distribuição da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, para garantir a fabricação e a compra de 30,4 milhões de doses. Dessas, metade está prevista para chegar ainda este ano, em dezembro e a outra metade, em janeiro de 2021, já prontas para serem aplicadas. Se a vacina tiver resultados positivos e obtiver o registro no Brasil, serão recebidas mais de 70 milhões de doses, todas distribuídas pelo SUS.

Em quem será aplicada – De acordo com o Ministério da Saúde, assim que a vacina contra o coronavírus estiver aprovada e chegar ao país, as doses iniciais serão destinadas a “públicos mais vulneráveis” como idosos, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde, professores, profissionais de segurança, indígenas, motoristas de transporte público e pessoas privadas de liberdade. A definição exata de quem poderá receber a vacina, porém, depende dos critérios aprovados pela Anvisa, que são baseados nos ensaios clínicos.

Mas o produto deverá ser ampliado com o tempo. A fim de ganhar tempo, Oxford já está testando a vacina em todas as faixas etárias, incluindo crianças. Enquanto que no Brasil o estudo dela é restrita a adultos com idade entre 18 e 55 anos, saudáveis e que estejam em alto risco de contaminação pelo vírus, na África do Sul, o trabalho com o mesmo imunizante busca avaliar sua eficácia e segurança em pacientes com HIV positivo, por exemplo. Já no Reino Unido, a fase 2 avalia a resposta imune à vacina em pessoas de 56 a 69 anos, com mais de 70 anos e em crianças com idade entre 5 e 12 anos.

Essa avaliação em grupos separados é importante e necessária porque a resposta imunológica de crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas pode ser diferente daquela gerada por adultos saudáveis. Por isso, a aprovação da indicação da vacina depende de testes feitos em todos os grupos.

Será o controle da doença?
Para ser considerada eficaz, uma vacina contra o SARS-CoV-2, nome oficial do novo coronavírus, deve ser capaz de oferecer proteção por um período mínimo de seis meses após a aplicação de uma ou duas doses. Além disso, é fundamental que ela seja capaz de reduzir a transmissão do vírus e funcione em populações-alvo, incluindo idosos e pessoas com outras condições de saúde.

Pesquisadores envolvidos no estudo acreditam que a vacina de Oxford tem 80% de probabilidade de ser eficaz em impedir que pessoas expostas ao novo coronavírus desenvolvam a doença.

O cenário ideal seria obter mais de 90% de imunidade, com apenas uma dose, e para a vida toda. Entretanto, pouquíssimos imunizantes já disponíveis preenchem esse critério.

Um exemplo disso é a vacina contra a febre amarela. Mas em tempos de pandemia, a Organização Mundial da Saúde  definiu como mínimo aceitável para aprovação da vacina uma eficácia de 50%. (Veja online)

 

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