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Caos na reserva Yanomami foi denunciado há um ano e atual presidente da Funai não fez a sua parte

Foto: Reprodução

A mobilização do governo Lula em torno da situação de crianças Yanomamis, que sofrem com desnutrição e falta de atendimento médico em Roraima, poderia ter sido feita há um ano, no governo de Jair Bolsonaro, caso a deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), hoje presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), tivesse usado o seu mandato para dar a devida repercussão ao grave problema.
Da etnia Wapichana, Joênia nasceu na comunidade indígena Cabeceira do Truaru, localizada na capital Boa Vista; não muito longe das reservas dos quase 35 mil Yanomamis que ocupam um território quase do tamanho de Portugal.
Formada em Direito em Roraima e com mestrado na Universidade do Arizona, não é difícil imaginar o seu grande distanciamento da realidade indígena de seu estado natal.
Em 30 de dezembro de 2022, quando foi anunciada como a nova presidente FUNAI, juntamente com outras lideranças indígenas, como o cacique Raoni Metuktire, Joênia anunciou que iria compor a estrutura do novo Ministério dos Povos Indígenas a ser comandado por outra indígena: a maranhense Sônia Guajajara.
Ao ser questionada sobre as prioridades da pasta, Joênia Wapichana afirmou que a FUNAI havia sido “desmantelada” e que precisaria retomar os investimentos. Falou de dinheiro, retomada do uso das terras, etc…

Todavia, chamou atenção o fato de a nova presidente não “abrir a boca” para falar da situação que acometia os Yanomamis, denunciada há um ano pelo Fantástico.
As fortes imagens da Globo mostraram crianças subnutridas e idosos doentes.
Estranha o fato de Wapichana não ter priorizado essa questão quando foi anunciada presidente da Funai, e somente agora, depois de mais de 1 ano da grave denúncia, dá vulto ao caso como se fosse uma grande novidade. Tanto que mobilizou o governo.
Nesse sábado, 21, o próprio presidente Lula comandou comitiva do governo em viagem a Boa Vista (Roraima). Foi ver de perto a situação, denunciada há um ano e que agora veio à tona novamente, de que “crianças yanomami sofrem com desnutrição e falta de atendimento medico”. É que “garimpeiros destroem a Floresta Amazônica, contaminam suas águas e espantam a caça e a pesca, principal fonte de alimentação dos povos tradicionais”.

A IDA DE LULA A RORAIMA

Ontem, em Boa Vista, Lula visitou a Casa de Saúde Indígena Yanomami (CASAI Yanomami). É por determinação do presidente, ministros de diversas áreas estão adotando uma série de medidas de enfrentamento à grave crise de desassistência sanitária e nutricional dos povos que vivem no território Yanomami.

Como uma das ações, Lula prometeu agir com firmeza no combate aos garimpos ilegais. “Vamos levar muito a sério essa história de acabar com qualquer garimpo ilegal. E mesmo que seja uma terra que tem autorização da agência para fazer pesquisa, eles podem fazer pesquisa sem destruir a água, sem destruir a floresta e sem colocar em risco a vida das pessoas que dependem da água para sobreviver”, declarou o presidente.

Lula viajou acompanhado dos ministros Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), Silvio Almeida (Direitos Humanos e Cidadania), Márcio Macedo (Secretaria-Geral da Presidência) e do general Gonçalves Dias (Gabinete de Segurança Institucional).

A ministra dos Povos Indígenas cobrou responsabilização pela situação que levou os Yanomami a uma crise humanitária tão grave. “Nós viemos aqui nessa comitiva para constatar essa situação e também tomar todas as medidas cabíveis para a gente resolver esse problema. Precisamos responsabilizar a gestão anterior por ter permitido que essa situação se agravasse ao ponto de chegar aqui e a gente encontrar adultos com peso de criança e crianças numa situação de pele e osso”, reforçou a ministra.

COMITÊ E EMERGÊNCIA — Na sexta-feira (20), o presidente Lula editou um decreto que cria o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento à Desassistência Sanitária das populações em território Yanomami. Além disso, a ministra Nísia Trindade, declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional diante da necessidade de ação urgente frente à crise enfrentada por esses povos indígenas. Os atos foram publicados no Diário Oficial da União.

“No caso da saúde, nós definimos que essa situação é uma emergência sanitária de importância nacional semelhante a uma epidemia. É isso que precisa ficar claro. A Saúde está determinada a resolver as emergências. Mas a sociedade tem que estar consciente do que está acontecendo aqui”, frisou a ministra da Saúde. Além da declaração de emergência, o Ministério da Saúde instalou o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE – Yanomami) como mecanismo nacional da gestão coordenada da resposta neste campo. A gestão do COE estará sob responsabilidade da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai/MS), considerando a tipologia da emergência.

Amanhã, 23, várias ações serão iniciadas, voltadas para a assistência de saúde, em especial. Uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) chegará a Boa Vista, com 13 profissionais, que irão operar o Hospital de Campanha. Outra equipe multidisciplinar com oito profissionais da área de saúde da Aeronáutica será deslocada de Manaus para a região de Surucucu (a cerca de 270 km a oeste da capital roraimense). O Hospital de Campanha da Aeronáutica, hoje no Rio de Janeiro, começará a ser transferido para Boa Vista. A expectativa é que ele seja montado no dia 27 de janeiro. Outra medida é o início do transporte de retorno para as aldeias dos Yanomami sem problemas de saúde e que se encontram no CASAI de Boa Vista.

CESTAS BÁSICAS — As ações reunem equipes da Força Nacional de Segurança (que já estão na região), além de profissionais da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar, que atuarão em conjunto para montar uma estratégia que garanta a segurança dos profissionais de saúde que atuarão nesta missão. A Aeronáutica iniciará, em caráter de urgência, o transporte de cesta básicas para a terra indígena Yanomami. Serão entregues, imediatamente, quatro mil cestas básicas que estão na Funai.

Drama — Atualmente, mais de 30,4 mil habitantes vivem no território indígena Yanomami e a situação na maior reserva indígena do país é dramática.
Com um ano de atraso – Despertado para a grave situação, o presidente Lula faz a sua parte, mostrando-se sensibilizado com o caos na reserva Yanomami. Mas, se a atual presidente da Funai, de etnia Wapichana, nascida na comunidade indígena Cabeceira do Truaru, não muito longe das reservas dos quase 35 mil Yanomamis, tivesse feito a sua parte na época, ou ao menos usado a poderosa tribuna da Câmara para chamar a atenção do então governo Bolsonaro, todo esse aparato poderia ser evitado hoje.

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