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Bolsonaro pediu ajuda da Índia por produção de cloroquina

Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro atuou diretamente em favor de duas empresas privadas solicitando ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que acelerasse a exportação de insumos para a fabricação da hidroxicloroquina. O pedido de Bolsonaro foi feito em 4 de abril do ano passado em um telefonema. O conteúdo da conversa foi transcrito em telegrama secreto do Ministério das Relações Exteriores em posse da CPI da Covid e obtido pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro.

“Entrarei diretamente no assunto. Embora não haja, por ora, divulgação oficial, temos tido resultados animadores no uso de hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com a COVID-19. Gostaria, por isso, em nome do governo brasileiro, de fazer um apelo ao amigo Narendra Modi para que obtenhamos a liberação de importações de sulfato de hidroxicloroquina feita por empresas brasileiras”, disse Bolsonaro, de acordo com a transcrição feita pelo Itamaraty.

Bolsonaro não citou quais fontes embasariam os “resultados animadores”. Hoje a hidroxicloroquina é considerada ineficaz contra a Covid-19.

O que isso significa – Para senadores da CPI, a chamada telefônica é prova importante do envolvimento pessoal do presidente com o fornecimento para o Brasil de hidroxicloroquina.

Na conversa com Modi, Bolsonaro cita nominalmente as empresas EMS e Apsen ao pedir que a Índia liberasse a exportação dos produtos. As duas empresas são comandadas por empresários que têm relações com o bolsonarismo. Ontem, o presidente da Apsen, Renato Spallicci, foi convocado a prestar depoimento à CPI.

A Apsen é a maior fabricante de hidroxicloroquina do Brasil. No ano passado, recebeu do BNDES R$ 20 milhões de um total de R$ 153 milhões que receberá por dois contratos assinados em 2019. O valor é sete vezes maior do que o crédito liberado para a empresa nos 16 anos anteriores.

Ontem, durante evento de igrejas evangélicas em Anápolis (GO), Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina. Ele comparou o medicamento às vacinas contra a Covid-19, sugerindo que não há comprovação da eficácia dos imunizantes. A eficácia das vacinas aplicadas no país foi avaliada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que aprovou o uso dos produtos. (Essencial – O Globo)

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