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Advogado fala que Mariano não estava em depressão, que ia ser solto e que fazia planos de trabalhos sociais

Jorge Arturo falou com exclusividade a O INFORMANTE, blog do JP Online

“O governo matou Mariano como ‘queima de arquivo”, diria a oposição. “A oposição ‘suicidou’ Mariano para culpar o governo”, diriam os governistas.

As duas suposições teriam algum sentido a serem verdadeiras as informações prestadas a O INFORMANTE, na noite dessa sexta-feira, pelo advogado Jorge Arturo Mendoza Reque Júnior, que representava o ex-assessor especial de regulação da secretaria de Estado de Saúde Mariano de Castro Silva, preso na Operação Pegadores (5ª fase da Operação Sermão aos Peixes), da Polícia Federal, e encontrado morto, quinta-feira da semana passada, com um fio elétrico amarrado ao pescoço e pendurado no quarto de hóspedes do apartamento de uma irmã sua, no Bairro Ininga, em Teresina (PI). “Mariano não tinha depressão, estava prestes a ser solto, fazia planos de trabalhos sociais e me disse que tudo isso seria uma página virada em sua vida”, afirmou Jorge Arturo numa longa conversa com o blog do JP Online.

Parte dessa conversa foi divulgada na noite passada, quando Arturo procurou O INFORMANTE para negar conhecer o advogado José Carlos, apontado por ele mesmo como a pessoa que teria recebido das mãos de Mariano uma ‘carta’ supostamente escrita pelo médico, e divulgada menos de 48 horas antes de ele ser encontrado morto pela irmã. Na conversa, Arturo confirmou, ainda, que não reconheceu a caligrafia de Mariano na ‘carta’ divulgada. “Não conheço esse Zé Carlos, ouvi o nome dele por intermédio de Mariano, que me falou que havia entregue a tal carta a ele. Vocês podem procurá-lo e perguntar se ele me conhece”, disse o advogado, conforme postado por O INFORMANTE na noite dessa terça-feira.

Na conversa que teve com o blog, Arturo deu informações importantes sobre o rumoroso caso.

“Representei Mariano, como seu advogado, de novembro do ano passado até a data da morte dele, na quinta-feira da semana passada.

O INFORMANTE: Como aconteceu isso?

Arturo: Na verdade, foi uma grande coincidência. Eu estava chegando em São Luís, vindo de Brasília, e encontrei com advogados associados nosso no Piauí, grande amigos nossos, que eram advogados de Mariano há algum tempo…

O INFORMANTE: Como assim, Mariano já tinha advogados antes de ser preso?

Arturo: Eram advogados (“e amigos”, enfatizou) do Piauí, em questões de natureza cíveis, normais, como todos temos…

O INFORMANTE: Sim…

Arturo: Eles conversaram comigo, botaram duas irmãs dele em contato comigo, e, como eles são de Teresina, as irmãs de Mariano me contrataram para eu representá-lo aqui no Maranhão. Na primeira visita que fiz a ele no presídio de Pedrinhas, inclusive, Mariano revelou que foram ofertados vários advogados, mas que ele queria era o nosso escritório.

O INFORMANTE: E a história da tal carta?

Arturo: Eu soube da existência de uma carta, um zum-zum-zum dessa carta, uns 20 dias antes da morte, e perguntei a Mariano. Ele me disse que não existia nenhuma carta. Quando essa tal carta foi divulgada, liguei em Teresina e ele disse que tinha escrito, mas que achava que tinham queimado. Fiquei chateado e falei que ele não deveria esconder nada do seu advogado.

O INFORMANTE: E você sabe como essa carta, ou anotações, como dizem, foi parar na imprensa?

Arturo: Não sei. Quando perguntei por que ele havia me mentido, 20 dias atrás, sobre a existência dessa carta, Mariano me disse que tinha entregue a esse Zé Carlos, que não conheço, não sei nem se é advogado, nunca o vi na vida. E isso (que ele entregou a Zé Carlos) consta numa segunda carta, de despedida de Mariano, que apareceu.

O INFORMANTE: O que você sabe dessa segunda carta?

Arturo: Sei que era uma carta de despedida, com umas 4 ou 5 laudas, e que foi encontrada pela Polícia em cima da mesa da sala, no apartamento da irmã dele. Nessa carta, ele pede desculpas, afirma a autoria da carta que entregou para Zé Carlos, fala de coisas pessoais, de como queria ser enterrado, mas não acusa ninguém.

O INFORMANTE: E sobre a morte de Mariano, em si, o que você sabe?

Arturo: Sei que ele se enforcou com um fio elétrico, no quarto de hóspede, e que a Polícia encontrou essa carta em cima da mesa da sala.

O INFORMANTE: Você acredita que ele se suicidou?

Arturo: O que sei é que ele não tinha motivos para isso.

O INFORMANTE: Ele estava deprimido?

Arturo: Não! Depressão zero. Ao contrário, ele estava fazendo planos, pretendia fazer trabalhos sociais, inclusive em presídios. Na semana que ele se matou havia saído um parecer da sub-procuradoria geral da República, Ela Wiecko, favorável à revogação da domiciliar (prisão domiciliar) dele. Essa subprocuradora tem um perfil de profissional rigorosíssima. Tinha sido uma vitória de Mariano conseguir esse parecer, e com ele, certamente, a domiciliar seria revogada. Cautelares como uso de tornozeleira, apresentações na Polícia, proibição de se ausentar da cidade, essas deveriam ser mantidas. Ele estava otimista, fazendo planos, e me disse que essa história toda seria uma página virada em sua vida.

O INFORMANTE: Ele estava separado da esposa?

Arturo: Não sei. Essas coisas da vida pessoal dele eu não conversava. Meus contatos todos eram com as irmãs dele.

O INFORMANTE: Você acredita que ele se matou?

Arturo: Bom, isso a Polícia é que vai ter que descobrir. O que garanto é que, aparentemente, ele não tinha motivos para isso. Nunca vi em Mariano desejo de se suicidar. O que sei é que ele foi encontrado morto pendurado em um fio elétrico, no quarto de hóspedes do apartamento da irmã dele.

O INFORMANTE: Como Mariano chegou em Teresina?

Arturo: Ele era de lá. Depois de 30 dias preso em Pedrinhas, conseguimos a domiciliar dele. Foi perto do Natal do ano passado. Ao ser solto, já praticamente na véspera do Natal, ele foi para Teresina e passou a morar no apartamento da irmã.

O INFORMANTE: Sozinho?

Arturo: Sim, sozinho.

O INFORMANTE: Você sabia de alguma pressão sobre ele para fazer delação?

Arturo: Não. Aliás, nosso escritório não tem nada contra a delação, mas não pratica esse instrumento. Nossa ideologia é de não delação.

O INFORMANTE: Foi publicado em ao menos um blog que você manteve contato com os senadores Roberto Rocha e Edison Lobão para ajudar Mariano.

Arturo: Isso é uma ‘viagem’, nunca aconteceu. Procurei o blogueiro que divulgou essa loucura e desmenti. “Não fiz nenhum contato com o senador Roberto Rocha, muito menos com o senador Lobão. Na verdade, transformaram o Maranhão num inferno com a morte de Mariano.

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